Molecagens
E seguia a procissão. E o moleque ainda matutava a molecagem de domingo. Bombinha, bexiga d´água, animais... Ainda não sabia. Teria que esperar o melhor momento, a hora em que assustaria o maior número de velhinhas beatas e clérigos. Mas ainda não sabia nem o que nem que momento. Por enquanto só acompanhava, no ritmo das senhoras.
O comboio dobrou a esquina. Preocupado, o moleque procurava o olhar do menino, seu comparsa, do outro lado da massa de gente e velas. Não achava. Enquanto isso chutava cascas de ovo e pó de serra.
Começava a chatear-se. Ratos? Baratas? Alarmes falsos? Nenhuma sugestão vinha do lado de lá., e o menino também parecia desanimado.
Chutou por mais três quarteirões o Corpus Christi, e a igreja Matriz se aproximava. Mais um quarteirão e o moleque pisou o primeiro degrau da escadaria. Olhou para o outro lado e o menino tinha sumido. Faria sozinho? O que faria? Não faria, nada. Desceu a escadaria cabisbaixo assim que o padre adentrou a igreja. Desistiu da molecagem e sem querer salvou a missa.

2 Comments:
Quando escrever o seu primeiro livro -- se é que pretende fazê-lo --, divulgarei no Jornal Nacional. E comprarei as capas das principais revistas semanais do país para colocar sua foto.
E mudará seu nome para Paulo Chinchila.
8:58 PM
Paulo Chinchila?
5:45 PM
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