11/17/2004
mera manutenção
Esse blog está em crise. Não demorou muito, era sabido.
Mas não é por falta de assunto para postar. Tenho várias idéias na ponta da caneta, que podem um dia ser publicadas aqui. Uma resenha de algum livro que não existe, um conto intitulado “O guarda-chuva de Elói”, (já tenho título e não o texto, contrário do que ocorre normalmente comigo) e outras elucubrações...
O que acontece é algo bem pior, que merece reflexão e ponderação.
Tenho um monte de trabalho da faculdade para fazer. É bastante coisa a ser escrita, e eu não as escrevo. É esse o problema. Não cumpro com minhas obrigações, então como poderei escrever algo “livre” de cobrança? Acho que tenho uma trava, que não deixa “O guarda-chuva de Elói” sair enquanto não faço minhas tarefinhas... E já que não as faço, nada será feito de fato.
Por isso, publico algo feito há um tempo atrás por um amigo meu, até que eu sane minhas dívidas com minha consciência e com meus mestres (!).
SublimeVenha,
pois quando os novos peregrinos
se juntarem às inúmeras caravanas
estarei na sala, à espera do
opróbio trem da utopia
e as manchas anônimas confirmam
a volúpia contagiante da metrópole
lúgibre, tais quais Ícaros sobre as
sobras pacientes da breve tarde
então venha, e,
com a chama da peleja,
estarei te esperando
atrás da linha amarela
sublime
Ana Rosa
Andrei Zacharenkov Calabrêz Sobrinho
11/09/2004
salve o doutor
Interrompo minha seqüência de mentiras para postar uma bobeira piegas mesmo.
Esse da foto sou eu. Ou melhor, era eu. Deus ou algo que o valha me deu pernas tortas e junto delas uma fenomenal habilidade com a bola. Eu chutaria com as duas, de trivela, com efeito, folha seca. Daria voleios, bicicletas e peixinhos. Anteciparia a pedalada do Robinho e o elástico do Romário. Força equivalente à do Roberto Carlos, explosão muscular igual à do Ronaldo e passes tão precisos quanto os de Zinedine Zidane.
Seleção, na certa. Jogaria em qualquer posição do campo, da lateral direita à ponta esquerda. Meu passe valeria 38 milhões de Euros.
Mas não.
Veio um tal Doutor Olivo e confiscou todas as bênçãos que o ser superior me dera. Como pôde um simples ortopedista com suas botinhas abortar uma carreira de esplendor e sucesso que estaria por nascer nos gramados lençoenses? Injustiça. Eu era pequeno e nem tive chance de escolher. Ainda bem.
11/04/2004
Entrevista
Mais uma mentirinha.
Antes, digo certas coisas: 7 tiros, falha minha. Condizente com a situação, na minha modesta, seria um singelo tiro de autodefesa. Enfim. Coisas que talvez só eu pense mesmo.
A locomotiva maldosaA psique humana parece trilhar um novo rumo. Se não um rumo assumiu o comando de um trem imenso. A comunidade psicóloga internacional passa a observar com mais atenção (e até medo) o obtusionismo, uma nova tendência no estudo da mente humana, que tem como berço as antigas repúblicas soviéticas.
Para o psicólogo ucraniano Salomon Vigotsky, pioneiro de dentre os obtusionistas, o ser humano somente consegue “acertar” sua vida se movido por um sentimento eufórico e explosivo. Muitas vezes é a vontade de matar, ou de ser grande e maciço que são as diretrizes determinantes de vários aspectos do convívio humano.
Dissidente da escola frutidorista, vinda do norte da França, o autor de “Escapando da Falésia” fala à Jason Blair & Amigos sobre humor negro e felicidade, após uma palestra que ministrou na Faculdade de Ciências Múltiplas Golhão Gouveia, em Telêmaco Borba, no Paraná.
Jason Blair & Amigos - Como os obtusionistas explicam o crescente gosto pelo humor negro?
Salomon Vigotsky – Na verdade o que parece haver é um resgate dessa tendência. A primeira notícia que se tem de humor negro data das cruzadas. É verdade que caiu em desuso após a revolução industrial e francesa, pois a nova divisão da sociedade dificultou sua continuidade. Mas o fracasso das iniciativas esquerdistas no século passado fez com que sumisse do repertório popular a idéia de que o humor negro fosse algo desprezível. Seu resgate é fruto da miscigenação de idéias e padrões, facilitada por inúmeros catalisadores como Internet e barateamento dos transportes. Esse tipo de humor não saiu do fundo da mente humana, e nunca sairá, pois o fracasso alheio é sempre um sinal primitivo de triunfo.
JB&A – E isso quer dizer que as pessoas são essencialmente más?
SV – É uma questão de valores adotados. Uma pessoa que pratique o humor negro hoje em dia (a pesar da crescente abertura) será taxada cruel, pois ainda não há a aceitação plena. Se fosse prática comum, como um simples cumprimento, o humor negro nada teria de mal. É, por exemplo, o que acontece em certas tribos mongóis, onde o bom negro-humorista consegue alto prestígio social e até posses.
JB&A – Os frutidoristas defendem a sabedoria como o melhor meio de se obter felicidade. Qual a relação entre esse e o pensamento obtusionista, sendo dissidência do primeiro?
SV- Quando do racha entre as duas escolas e nossa volta para a Ucrânia, o que mais nos ocupava não era alcançar a felicidade ou não, e sim por que desejamos ser felizes. Os frutidoristas se esforçam em achar um bom meio para alcançá-la, tomada como objetivo principal da vida de qualquer um. Passamos a questionar essa verdade. E se o objetivo não for ser feliz? Uma pessoa despida da obrigação de ser feliz e promover a felicidade de alguém, alcança uma faceta importante até mesmo da felicidade: o descompromisso. Descompromissados com a felicidade tendem a promover a infelicidade em outros. mas, imune a uma possível culpa, o causador de infelicidade acaba fazendo o que lhe agrada, e como conseqüência é feliz. O fim é o mesmo. No entanto, lutar contra forças geradores de infelicidade é um esforço grande e desnecessário, já que indo pela contramão chega-se no mesmo lugar.
JB&A – Qual a origem do nome da escola, o obtusionismo?
SV – Vem do termo “obtuso”, algo que não é agudo, sem pontas, rude, estúpido. Não que taxemos seres humanos uns brutos, o termo apenas ilustra o ímpeto que rege a naturalidade humana. Essa deve ser bruta, maciça e robusta. Não falo fisicamente, mas em seu interior. Prosseguir a passos lentos e pesados, como uma locomotiva blindada.
JB&A – Nada contra correntes mais brandas na designação da humanidade?
SV – Nada, em absoluto. Apenas achamos que tudo o que se produziu em psicologia até hoje serve como mero paliativo, tapa o sol com a peneira. Respeitamos, a pesar de vislumbrarmos para breve seu funeral iminente.
JB&A – O senhor se considera um bom negro-humorista?
SV – Quem é negro-humorista de verdade não o anuncia em público. Uma grande desqualificação e uma verdadeira derrota para os verdadeiros negro-humoristas é uma comunidade virtual hospedada no site Orkut: pessoas escrevem suas piadas (que muitas vezes não são de humor negro) para que as outras se divirtam ao bel prazer. A felicidade é um prato que se come só, e aos poucos. Gargalhadas são lágrimas engolidas.



