Marginal Tietê
O feriado foi em Birigüi. Mais precisamente em Glicério, no rancho da família Prado, convidado pelo caçula Raphael. A beira do rio Bonito, (certeza?) um afluente do Tietê, segundo Seu Antônio “não molhava nem as canelas antes de ser represado”. Agora molha, bastante. E gela!
Aproximadamente 20 universitários num lugar agradável ao extremo, longe de qualquer tipo de informação (talvez até de propósito, pois lá pega TV, mas as atenções estavam todas voltadas para as garrafas e para a mesa de sinuca.) Acabei ouvindo muita coisa boa, bons papos, idéias e piadas. Com certeza muito do que foi vivido na quieta Glicério nesse feriado se transportará para cá, conturbada Internet. Mas por meio de conta-gotas.
Hoje eu falo do fim.
Feriado é aquela coisa: ninguém sabe por que não está fazendo nada, somente não faz e se alegra por isso. Os fogos de artifício que me acordaram ao meio dia desse domingo trouxeram a dúvida. “Por que fogos?” Dona Maria, mãe do Raphael me lembrou da padroeira. É claro! 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida.
Tirando os devotos fogueteiros, me parece que pouca gente se lembra da Santa, e os 500 km da volta para São Paulo mostraram que o 12 de outubro é mesmo o dia das crianças.
No primeiro pedágio, (creio que em Pardinho,) além da previsível moça da cabine que nos cobra e dá o troco, trabalhava uma outra moça. Uma não, umas cinco. Do lado de fora da cabine, infinitamente mais bonitas e sorridentes que as de dentro, com roupas amarelas e azuis. Uma delas se aproximou do carro e perguntou: “Tem criança?” “Mais ou menos”, respondo, lembrando de Rodrigo no banco traseiro. A bela, em dúvida, pega da mão de uma colega uma bexiga azul, cheia e com o nome de um posto.
Não pela bexiga, mas sim por ser o melhor posto da América Latina, paramos lá.
Esqueceram-se dos adultos. Três ou quatro coelhinhos fofos e cabeçudos alegravam a criançada abanando as mãos e mandando beijos. (Penso que talvez esses atores escondidos sob o pelo todo da fantasia desejem sim é bater em certos fedelhos... Ossos do ofício, alguém tem que agradar crianças no dia das crianças, mesmo que isso exija que se trabalhe!) Em vez da habitual FM comercial, Xuxa ditava o ritmo no ambiente e revoltava minha amiga Débora. Realmente se esqueceram dos adultos...
De volta à estrada, o segundo pedágio não nos presenteou com bexigas, e sim se enfeitou com elas. Também azuis e amarelas, como as moças e balões do primeiro. Cores de criança. Será que a criançada gostou da homenagem?
Já em São Paulo, casa, a TV, aquela que nunca se esquece das crianças e as crianças nunca esquecem (e que nos últimos quatro dias somente me mostrara dois gols do Brasil e dois da Venezuela,) festejava os pequenos com “alegria e criatividade”: na Band atores vestiam as grandes cabeças da Mônica e do Cebolinha, acenavam “brincavam” com crianças no auditório do programa do Gilberto Barros. Assustei, (juro que sim) quando vi o apresentador, de no mínimo nove arrobas e dono de um bigode considerável, arrebentando as costuras de uma camiseta laranja, bermuda até o meio da canela gorda e branca, tênis e bonezinho de lado!
Na Record o Tom Cavalcante recebia cantores: Rouge e Broz (certo?). Celebrava também as crianças, dançando no chão e usando uma peruca loira. No fim da música que alguém cantava, apareceu. Ele, grande, bruto, mau, forte. Pesando por baixo umas oito arrobas e vestindo um terninho de marinheiro ao melhor estilo Kiko, do Chaves, o campeão Maguila!
Com “cara de parabéns”, totalmente constrangido e possivelmente com uma graninha a mais no bolso para alimentar suas crianças, o ex-atleta fazia papel de panaca para alegrar as crianças no programa de um humorista sem piadas, quase ou tão desesperado quanto ele. Uma homenagem no mínimo estranha: tenho vinte anos e acho que uma das únicas lutas do Maguila que vi foi sua despedida, possivelmente no começo dos anos 90, aos 40 e tantos anos, apanhando pra valer e agradecendo a trezentos patrocinadores. A platéia do programa nascia nessa época.
Tive vergonha por todos, apresentadores, bandas pré-fabricadas, promoters de pedágio, atores com calor que abanam a mão e mandam beijos, Maguila, e então desliguei a TV.
1 Comments:
Esse negócio de eu ser sempre o primeiro a comentar, EM DETRIMENTO de lindas mulheres que poderiam elogiar seu texto, vai acabar pegando mal. Mas o ócio na Coordenadoria de Pós-graduação de nossa amada Cásper Líbero me faz visitar 12 mil blogs e fotologs, diariamente, em horário de expediente. Só quero aproveitar para agradecer a presença de todos que foram para Birigüi, mas em especial aos caipiras como eu, que abriram mão de visitar suas famílias no feriado prolongado para passar 4 dias com os amigos. Mais especialmente ainda àqueles que deixaram de estar com o irmão aniversariante para jogar biribol às margens do Tietê. Valeu mesmo. Abraço, Rapha.
4:22 PM
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