O blog mais despretencioso da América Latina

10/29/2004

Jason Blair e amigos

“É quenem crack, vicia!”

Isso foi o que um certo professor de Técnicas e Gêneros Jornalísticos II da Cásper Líbero disse sobre mentir em uma reportagem.

Como não estou nada a fim de fumar uma pedrinha hoje, me contento em contar uma mentira. E me proponho, com essa primeira, a inaugurar uma série de reportagens mentirosas aqui. Repito: são assumidamente mentirosas, me venham com essa de me difamar! Sugestões são aceitas.

PM mata amigo e diz que foi sem querer

José Marcos Oreficco foi atingido na manhã dessa quarta-feira por disparos feitos por engano pela tenente Marisângela do Socorro, sua amiga de infância. O acidente ocorreu na rua São Carlos do Pinhal às 08h e 30 minutos de hoje.

O amigo surpreendeu a policial com um susto, pondo as mãos sobre seus ombros por trás. Nesse instante Marisângela, de 32 anos, sacou o revólver calibre 38 de propriedade da corporação e descarregou os seis projéteis do tambor no garçom, que tinha 29 anos. Três dos tiros acertaram o abdome, um o tórax, e os outros três o antebraço esquerdo de José Marcos.

“Foi algo inesperado, somos treinados para reagir a abordagens suspeitas” declarou a policial em prantos no 107º DP, para onde foi levada algemada para um interrogatório. Quando questionada por que dera seis tiros ao invés de apenas um, o que seria uma reação condizente com o ato de José, Marisângela permaneceu calada.

O comandante Tobias Arlindo, do 107º DP não descarta a hipótese de assassinato: “Temos que descobrir por que ela descarregou a arma no amigo. Há a suspeita de um desafeto anterior, e ela pode ter usado a ocasião para se resolver com a vítima”.

No DP, instantes depois do depoimento da tenente, sua mãe Romária do Socorro, 67, afirmou desconhecer qualquer tipo de atrito entre os dois: “Sempre tiveram uma boa relação. Jogavam sinuca e bocha juntos todo sábado.” O pai de José Marcos, Fábio Oreficco, de 71 anos, também diz desconhecer alguma desavença: “prefiro acreditar que foi acidente, mas seis tiros é de mais.”

A policial permanecerá sob custódia da PM no próprio DP até se concluírem as investigações.

10/25/2004


Cadê o Itamar? Mais um fruto da ociosidade do Raphael.

Dor

Vestiu calça jeans. Tênis? Claro. Nunca usava sapatos. A garoa impedia a caminhada. Carro, então. Foi. No fundo sabia que não deveria, mas foi.

Lá dançavam; ele quase nada. Bebiam; ele pouco. Sorriam; ele se esforçava.

Aquela moça estava lá. Bebia dançante e sorridente, como pedia a ocasião. Ele evitava seus olhares, mas estes o perseguiam. Ir embora? Indelicado... Ficou, apreensivo.

O encontro foi inevitável. No canto da pista, falaram sobre o tempo, esportes, jantares, família, amigos. Não escaparia. Amor seria o próximo tópico, o mais esperado por ela e indesejado por ele.

Generalidades e subterfúgios não contiveram o avanço: os dois entraram em pauta.

Ela tinha os olhinhos verdes cheios e trêmulos. Ele, a mão no queixo e os olhos ardendo. Ela tinha vontade, estava ansiosa e temerosa. Ele olhava para o nada e mexia em seu chaveiro. Ela arfava, insistia jogando suas ultimas cartas, às vezes incompreensíveis. Ele lamentava, pensava, não tinha muito a dizer.

A moça recebeu um beijo na testa, percebeu seus esforços inúteis e chorou.

Sentindo-se mal, ele pagou sua conta, saiu de lá e caminhou cabisbaixo na chuva até o carro. Tirou os tênis molhados e dirigiu até sua casa. Com ajuda de um cd, desejou sentir a dor daquela moça, mas temeu nunca senti-la.

10/19/2004


olha só o itamar olhando só isso!

Paulista bobo!

Fui pro Rio de Janeiro em Julho. Nunca tinha ido, e queria. Mas, como bom (mau) paulista, tinha uma birra preconceituosa contra a cidade e seus habitantes. Sempre me pareceu que não eram muito afeitos ao trabalho. Eu sei, puro preconceito. Aquela imagem da qual o melhor dos últimos 30 anos, Romário, é o expoente maior: folgado, fanfarrão esperto, malandrão.

Nada a ver.

Que povo bom. Sorridente. Que cobrador simpático, motoboy tranqüilo, taxista bem humorado. Nada a ver com os paulistas (só) trabalhadores.

Também, pudera. É só olhar em volta. A Beleza!

Deslizes? Sim, mas compreensíveis... É normal não querer trabalhar em um lugar desses!

E eu aqui, num cubículo com solo impermeável...

10/13/2004


Maguila para crianças

Marginal Tietê

O feriado foi em Birigüi. Mais precisamente em Glicério, no rancho da família Prado, convidado pelo caçula Raphael. A beira do rio Bonito, (certeza?) um afluente do Tietê, segundo Seu Antônio “não molhava nem as canelas antes de ser represado”. Agora molha, bastante. E gela!

Aproximadamente 20 universitários num lugar agradável ao extremo, longe de qualquer tipo de informação (talvez até de propósito, pois lá pega TV, mas as atenções estavam todas voltadas para as garrafas e para a mesa de sinuca.) Acabei ouvindo muita coisa boa, bons papos, idéias e piadas. Com certeza muito do que foi vivido na quieta Glicério nesse feriado se transportará para cá, conturbada Internet. Mas por meio de conta-gotas.

Hoje eu falo do fim.

Feriado é aquela coisa: ninguém sabe por que não está fazendo nada, somente não faz e se alegra por isso. Os fogos de artifício que me acordaram ao meio dia desse domingo trouxeram a dúvida. “Por que fogos?” Dona Maria, mãe do Raphael me lembrou da padroeira. É claro! 12 de outubro, Nossa Senhora Aparecida.

Tirando os devotos fogueteiros, me parece que pouca gente se lembra da Santa, e os 500 km da volta para São Paulo mostraram que o 12 de outubro é mesmo o dia das crianças.

No primeiro pedágio, (creio que em Pardinho,) além da previsível moça da cabine que nos cobra e dá o troco, trabalhava uma outra moça. Uma não, umas cinco. Do lado de fora da cabine, infinitamente mais bonitas e sorridentes que as de dentro, com roupas amarelas e azuis. Uma delas se aproximou do carro e perguntou: “Tem criança?” “Mais ou menos”, respondo, lembrando de Rodrigo no banco traseiro. A bela, em dúvida, pega da mão de uma colega uma bexiga azul, cheia e com o nome de um posto.

Não pela bexiga, mas sim por ser o melhor posto da América Latina, paramos lá.

Esqueceram-se dos adultos. Três ou quatro coelhinhos fofos e cabeçudos alegravam a criançada abanando as mãos e mandando beijos. (Penso que talvez esses atores escondidos sob o pelo todo da fantasia desejem sim é bater em certos fedelhos... Ossos do ofício, alguém tem que agradar crianças no dia das crianças, mesmo que isso exija que se trabalhe!) Em vez da habitual FM comercial, Xuxa ditava o ritmo no ambiente e revoltava minha amiga Débora. Realmente se esqueceram dos adultos...

De volta à estrada, o segundo pedágio não nos presenteou com bexigas, e sim se enfeitou com elas. Também azuis e amarelas, como as moças e balões do primeiro. Cores de criança. Será que a criançada gostou da homenagem?

Já em São Paulo, casa, a TV, aquela que nunca se esquece das crianças e as crianças nunca esquecem (e que nos últimos quatro dias somente me mostrara dois gols do Brasil e dois da Venezuela,) festejava os pequenos com “alegria e criatividade”: na Band atores vestiam as grandes cabeças da Mônica e do Cebolinha, acenavam “brincavam” com crianças no auditório do programa do Gilberto Barros. Assustei, (juro que sim) quando vi o apresentador, de no mínimo nove arrobas e dono de um bigode considerável, arrebentando as costuras de uma camiseta laranja, bermuda até o meio da canela gorda e branca, tênis e bonezinho de lado!

Na Record o Tom Cavalcante recebia cantores: Rouge e Broz (certo?). Celebrava também as crianças, dançando no chão e usando uma peruca loira. No fim da música que alguém cantava, apareceu. Ele, grande, bruto, mau, forte. Pesando por baixo umas oito arrobas e vestindo um terninho de marinheiro ao melhor estilo Kiko, do Chaves, o campeão Maguila!

Com “cara de parabéns”, totalmente constrangido e possivelmente com uma graninha a mais no bolso para alimentar suas crianças, o ex-atleta fazia papel de panaca para alegrar as crianças no programa de um humorista sem piadas, quase ou tão desesperado quanto ele. Uma homenagem no mínimo estranha: tenho vinte anos e acho que uma das únicas lutas do Maguila que vi foi sua despedida, possivelmente no começo dos anos 90, aos 40 e tantos anos, apanhando pra valer e agradecendo a trezentos patrocinadores. A platéia do programa nascia nessa época.

Tive vergonha por todos, apresentadores, bandas pré-fabricadas, promoters de pedágio, atores com calor que abanam a mão e mandam beijos, Maguila, e então desliguei a TV.

10/06/2004


zagueirodo time do Wagner Love no inverno da Sibéria

fale seu nome, panaca!

ah, sou o Paulo.
Sei lá se todo mundo sabe, né....

inaugural

Oi.
È uma honra entrar para o mundo virtual. Sei lá se é mesmo. Mas o fato é que cá estou.
Nunca fui muito chegado nesse nagócio de cyberespaço, relações virtuais e um bom papo sobre a pós-modernidade não me agrada muito.
Mas anda dífícil sobreviver sem os artifícios da comunicação virtual e portanto me rendi, criando um bloggzinho.
Quem sabe eu dobre meu vasto círculo de amizades... quem sabe eu melhore minha datilografia, quem sabe eu escreva mais (acho que é esse meu objetivo maior nessa empreitada).